“Olhar Peregrino” I Mostra Cultural do Ilê Mulher entra em cartaz no 512

A mostra “Olhar Peregrino” que retratou as vivências e andanças dos oficinandos de artes (ministrada pela oficineira Beth Reginatto e educadora social Tatiana Faleiro) de fotografia (ministrada pela oficineira Mariana Souza) do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) – Ilê Mulher em uma perspectiva singular, entrou em cartaz no dia 07 de dezembro de 2017, e ficou cerca de quatro dias em exposição, no Espaço Cultural 512, na Cidade Baixa. A exposição propôs uma reflexão sobre a visão de mundo da população adulta em situação de rua, sua historicidade e discursos vivenciados nas suas relações sociais, integrantes da rotina (muitas vezes invisível) da sociedade contemporânea. A mostra indicou o pertencimento de cada peregrino ao espaço e tempo da cidade de Porto Alegre.

O trabalho das oficinas do SCFV – Ilê Mulher é potencializar as habilidades de cada participante, permitindo que a sua expressão se dê pela linguagem visual, exercitando, desta forma, o olhar crítico, estético e sensível. A poética da rua foi o fio condutor da mostra. Assim, pela valorização do cotidiano vivenciado por cada um, a arte toma espaço, tornando-os artistas. A exposição foi composta por dois ambientes: pinturas e fotografias.

Na primeira sala, o visitante adentrou ao íntimo de cada artista, através das memórias de infância expressas nos quadros pintados que trazem desenhos. As pinturas dão vida a criança interior dos artistas e trazem o brincar como inspiração principal do trabalho.

Na segunda sala, foram expostas as fotografias realizadas a partir da câmera Pinhole de Sardinha. A Pinhole (traduzida para português como “buraco de agulha”) é uma câmera fotográfica artesanal que utiliza materiais reciclados e de baixo custo, colaborando com a sustentabilidade na reutilização de plásticos, madeiras e metais.

A Pinhole se estrutura no princípio básico da fotografia que é a câmera escura. Seu uso vai além de um processo didático, pois a câmera beira ao experimentalismo e o resultado são fotografias com sobreposições como a fotografia “Feixe de Luz”, deformidades expressas na “Espectro” e suavidade no foco como demonstrado na fotografia “Dia de Chuva”.

Por fim, foram utilizadas câmeras analógicas e digitais para outras experiências fotográficas. As imagens expressaram o caminhar de vida dos peregrinos, impregnado pela beleza e simplicidade de ser o que se é.

A curadoria da exposição foi de  Mariana Souza e Tatiana Faleiro.  A mostra Olhar Peregrino teve por objetivo dar visibilidade a população adulta em situação de rua, fomentando para uma conscientização social, política e cultural.

A cobertura fotográfica foi de Alex Carvalho (oficinando de fotografia), Gabriel Barcellos e Mariana Souza.